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O Rio de Janeiro possui experiência consolidada no monitoramento de crianças e adolescentes em situação de acolhimento institucional

  • Foto do escritor: André Felix
    André Felix
  • 21 de fev.
  • 2 min de leitura

Há quase duas décadas, por meio do Módulo Criança e Adolescente (MCA), o Estado sistematiza e divulga dados sobre o acolhimento nos diversos municípios fluminenses, contribuindo para a qualificação das políticas públicas de proteção.


O acolhimento institucional constitui medida excepcional e provisória, devendo ser aplicada apenas quando esgotadas outras alternativas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O artigo 101 estabelece um conjunto de medidas protetivas que antecedem o acolhimento, tais como orientação e acompanhamento familiar, inclusão em serviços e programas de apoio, requisição de tratamento médico ou psicológico, inclusão em programas comunitários e, quando necessário, acolhimento familiar ou colocação em família substituta.


Nos termos do §1º do art. 101, tanto o acolhimento institucional quanto o acolhimento familiar são medidas transitórias, destinadas à reintegração familiar ou, quando esta não for possível, à colocação em família substituta, não implicando privação de liberdade.

Assim, o ingresso de uma criança ou adolescente em serviço de acolhimento indica que as demais medidas de proteção não foram suficientes para assegurar seus direitos no convívio familiar. Por essa razão, o monitoramento do número de acolhidos constitui importante indicador da efetividade das redes de proteção social.


O Módulo Criança e Adolescente foi instituído no âmbito do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, por meio da Resolução GPGJ nº 1.369, com a finalidade de manter cadastro eletrônico contendo informações sociais e jurídicas de crianças e adolescentes acolhidos no Estado, garantindo maior transparência e acompanhamento das medidas aplicadas.


No período analisado (2008–2025), observa-se uma redução superior a 50% no número de crianças e adolescentes acolhidos, evidenciando importante avanço na política de fortalecimento da convivência familiar e comunitária.


Entretanto, a série histórica demonstra uma inflexão a partir de 2020. Após anos consecutivos de queda, verifica-se aumento anual no número de acolhidos entre 2020 e 2025, o que sinaliza a necessidade de análise mais aprofundada sobre os fatores sociais, econômicos e institucionais que podem estar impactando essa tendência. Veja a tabela abaixo com os dados do período:


Ano/Mês

número de acolhimentos

número de crianças e adolescentes acolhidos no período

aptos à adoção

2008 - maio

235

3732

249

2009 - junho

238

3358

261

2010 - junho

240

2600

192

2011 - junho

240

2658

247

2012 - junho

218

2464

222

2013 - junho

215

2437

232

2014 - junho

205

2137

228

2015 - junho

200

1983

221

2016 - junho

203

2008

199

2017 - junho

202

1746

195

2018 - junho

202

1724

167

2019 - junho

198

1723

164

2020 - junho

196

1425

171

2021 - dezembro

190

1369

161

2022 - dezembro

181

1471

175

2023 - dezembro

183

1505

151

2024 - dezembro

186

1559

148

2025 - dezembro

187

1693

212


O monitoramento sistemático de dados em políticas públicas sociais é fundamental para subsidiar decisões.


 
 
 

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